Inflação: O Maior Inimigo Dos Seus Investimentos

Inflação

Se você gosta de juntar seu dinheiro na conta corrente ou até mesmo guardado “dentro do colchão”, então tenho uma péssima notícia: você está sendo a maior vítima do pior inimigo do seu dinheiro, a inflação.

Em outras palavras, você acha que está acumulando dinheiro mas na verdade você está queimando seu dinheiro e ficando cada vez mais pobre, ao invés de enriquecer.

Continue lendo esse post para saber:

  • O que é inflação;
  • A evolução da inflação no Brasil;
  • Quais os principais índices de inflação no Brasil;
  • Como escolher o melhor investimento para combater a inflação;

Se esse tema é do seu interesse, clique em algum dos ícones acima, compartilhe o artigo e ajude seus amigos que possam estar com o mesmo problema que o seu sem saber disso. Com certeza você será recompensado =)

Agora você vai entender de uma vez por todas como a inflação pode atrasar a sua vida e vai saber como escolher o melhor investimento para que seu dinheiro não sofra as piores consequências nas mãos desse vilão, que é o inimigo número 1 de qualquer investidor.

Atenção, esse artigo foi publicado em 2015 e por isso alguns dados sobre a inflação podem estar ultrapassados. Mas o conteúdo mais importante, que é você entender o que é a inflação e o que fazer para se proteger dela, estará sempre preservado.

O que é Inflação?

A inflação é um indicador que mede o quanto nosso dinheiro perdeu de valor em um dado período.

Ela é a grande vilã do seu dinheiro, e é graças à ela que hoje, alguns investimentos tem rentabilidade negativa, como a poupança e até mesmo os imóveis, que tiveram seu primeiro mês negativo desde 2008.

Mais pra frente vou explicar melhor como as rentabilidades devem ser calculadas. Por enquanto, quero dar um exemplo prático de como a inflação interfere diretamente no seu cotidiano

Suponha que hoje você gasta R$ 100,00 pra encher o tanque do seu carro, se daqui a 1 ano a inflação para gasolina for de 8%, no ano seguinte você terá que gastar R$ 108,00 para encher o mesmo tanque do mesmo carro.

É como se o seu dinheiro tivesse perdido 8% do valor de compra, pelo fato da gasolina ter ficado 8% mais cara. Agora imagine se a inflação em geral, que mede o quanto os principais produtos ou serviços aumentaram, estivesse em 8%? O seu dinheiro como um todo teria perdido 8% do poder de compra.

Mas será que 8% é muita coisa?

Pra responder essa pergunta vou mostrar à você o histórico do índice de inflação aqui do Brasil e falar sobre onde nos encontramos hoje.

A Evolução da Inflação no Brasil 

A evolução da inflação no Brasil, desde 1996, segundo o IPCA (um dos principais índices usados para medir a inflação), encontra-se no gráfico abaixo:

Inflação_01
Fonte: IBGE

Veja como o IPCA tem oscilado no decorrer dos anos, sendo que atualmente ele já se encontra acima dos níveis de 2003 e se aproxima dos mesmos níveis de 2002, isso porque ainda faltam 4 meses para o final do ano e a tendência é de mais alta ainda.

Veja que ao invés de diminuir ou permanecer em um patamar mais baixo, a inflação só tem subido desde 2006.

Então essa é a grande importância de se levar em consideração a inflação na hora de você escolher onde investir seu dinheiro, para que assim, ele sempre supere a inflação ao invés de perder para ela.

Os Principais Índices de Inflação no Brasil

Inflação_02
Essa é a personificação perfeita da inflação no Brasil: um dragão cuspindo fogo no seu dinheiro

A inflação atinge todas faixas de renda da população, pois praticamente todos os produtos de consumo sobem todos os anos devido ao aumento no custo de produção.

Se sobe o preço da gasolina (encarece o frete), da energia elétrica ou até mesmo do dólar, tudo isso acaba impactando no preço do produto final deixando-o mais caro pra você e pra mim.

Mas a inflação sempre vai ser diferente de pessoa pra pessoa, pois cada um consome um tipo de produto de acordo com suas necessidades.

Por esse motivo que existem tanto índices que medem a inflação, abaixo listo os mais conhecidos:

IPCA: Índice de Preços Para o Consumidor Amplo (medido pelo IBGE)

INPC: Índice Nacional de Preços ao Consumidor (medido pelo IBGE)

IGP-DI: Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (medido pela FGV)

IGP-M: Índice Geral de Preços do Mercado (medido pela FGV)

IPC-S: Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (medido pela FGV)

IPC-Fipe: Índice de Preços aos Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (medido pela FIPE)

Cada um desses índices tem uma abrangência, um tipo de cálculo e foca em uma determinada faixa de renda.

Sendo que os mais utilizados como referência de mercado são o IPCA e o IGP-M.

Como Escolher o Melhor Investimento Contra a Inflação

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Aqui vou abordar somente os investimentos do tipo renda fixa, pois são os investimentos mais simples e previsíveis, onde você já sabe o quanto vão render até o final.

Mas caso você também queira saber mais sobre bolsa de valores, você pode fazer o download grátis do eBook que ofereço aos leitores do blog e que já ajudou milhares de pessoas a iniciarem seus investimentos em ações com mais confiança.

Para saber qual investimento tem a maior rentabilidade acima da inflação (rentabilidade real) , você deve analisar 3 pontos:

  1. Taxa Selic;
  2. Rendimento da sua aplicação descontadas as taxas e o IR;
  3. Inflação acumulada;

Lembrando que o investimento com a maior rentabilidade, não é necessariamente o melhor investimento para você. Pois em alguns tipos de investimento você só consegue a rentabilidade prometida se você deixar seu dinheiro até o prazo final estabelecido.

Se você for precisar do dinheiro antes desse prazo, dificilmente você receberá a rentabilidade prometida, proporcional ao período em que você manteve seu dinheiro investido. Sendo que você pode até ter prejuízos.

Então o melhor investimento para você deve aliar a melhor rentabilidade acima da inflação junto com um prazo de vencimento que fique bom para você e seus planos.

Taxa Selic

A Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é uma taxa de referência que os bancos usam para definir o quanto de juros serão pagos ou cobrados dos seus clientes e nas operações financeiras que realizam entre si.

Então, se a taxa Selic está a, por exemplo, 12% ao ano, a taxa paga pelos bancos para quem investir em seus fundos de investimentos estará próxima disso, assim como a taxa para quem tomar empréstimos.

A Taxa Selic também serve de referência ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), que é justamente a taxa praticada apenas entre instituições financeiras (bancos, corretoras etc) quando estas fazem ou tomam empréstimos entre si.

O CDI serve também de referência à rentabilidade das diversas modalidades de investimentos para pessoas físicas, como CDB, Fundos DI, Fundos de Renda Fixa, LCI, LCA etc.

Então, se você procurar pela rentabilidade desses fundos, é comum encontrar, principalmente nos CDBs, anúncios dizendo “100% do CDI”. Isso não quer dizer que a rentabilidade será de 100%, mas sim que o CDB que você investir, vai render o mesmo que o CDI. Se for “90% do CDI”, então o rendimento será 90% do CDI e assim por diante.

Rendimento do seu investimento

Aqui é importante que você saiba o quanto a sua aplicação deve render, livre de IR e da taxa de administração (se houver) que os bancos cobram para administrar seu dinheiro.

Então vamos supor que você decida investir em um Fundo DI.

Você deve ir até o site do banco ou conversar com seu gerente, e ver o quanto rende este fundo. Depois de ver o rendimento, vamos supor 12% ao ano, você deve obrigatoriamente descontar a taxa de administração e o IR.

A taxa de administração, de um modo geral, vai variar de acordo com o tipo de fundo que você escolher (DI, Renda Fixa, Multimercado, Ações etc) e a quantidade de dinheiro inicial que você investir. Quanto mais dinheiro você estiver disposto a investir, menor será a taxa de administração.

É importante destacar que a taxa de administração será cobrada sobre o montante total que você tiver investido (quantidade de dinheiro aplicado + rentabilidade no período).

Já o IR vai ser cobrado somente sobre o rendimento e vai funcionar de acordo com a famosa tabela de tributação regressiva:

Agora que você já sabe o que é cada um dos 3 elementos que expliquei, chegou a hora de juntar tudo para saber como evitar que você queime seu dinheiro.

Vamos revisar os 3 pontos que você deve observar e o que fazer com cada um deles:

  1. Taxa Selic / CDI: sua aplicação deve ter o rendimento mais próximo possível dessas duas taxas, senão você está deixando de ganhar o máximo que pode;
  2. Rentabilidade da sua aplicação: sempre usar a rentabilidade menos taxa de administração e IR;
  3. Inflação: deve ser descontada da rentabilidade da sua aplicação;

Agora que você já sabe quais os dados importantes, é só seguir esse passo-a-passo para calcular a rentabilidade real:

Primeiro Passo: escolher alguma aplicação que renda próximo ou até mais que a taxa Selic ou o CDI.

Existem diversas opções disponíveis no mercado que tem a rentabilidade próxima da Selic, mas para servir de exemplo vou escolher uma das letras do Tesouro Direto, a LTN – Tesouro Prefixado 2021, cuja taxa anual está em 15,05%.

Acima da Taxa Selic atual de 14,15% (segundo pesquisa realizada no site do Banco Central do Brasil em 06/09/2015).

Segundo Passo: descontar todos os custos da aplicação e encontrar a rentabilidade líquida.

Taxa de Administração: sobre a quantia total de dinheiro aplicado.

No caso do Tesouro Direto as taxas que você deve pagar, correspondem às taxas cobradas pela corretora que você utiliza (existem algumas que não cobram taxa) mais as taxas da BM&FBovespa, que no meu caso são:

Taxa de administração corretora: 0,10% ao ano

Taxa padrão da BM&FBovespa: 0,30% ao ano

Total: 0,40% ao ano

Imposto de Renda: descontado somente do rendimento no período.

No nosso exemplo, vou considerar o período de 1 ano, então o IR será de 17,5%.

Logo, nós temos:

Capital Inicial: R$ 10.000,00

Rendimento Anual: R$ 1.505,00 (15,05%)

Custo anual com taxas: R$ 46,02 (0,40%)

Imposto de Renda para aplicações de até 1 ano: R$ 263,37 (17,5%)

Saldo Final = 10.000,00 + 1.505,00 – 46,02 – 263,37

Saldo Final = R$ 11.195,61

Agora já é possível calcular a rentabilidade líquida.

Rentabilidade Líquida = R$ 11.195.61 / R$ 10.000,00

Rentabilidade Líquida = 11,95%


Terceiro Passo: descontar a inflação da rentabilidade líquida para encontrar a rentabilidade real.

Rentabilidade Líquida: 11,95%

Inflação nos últimos 12 meses: 9,56% (ver gráfico acima)

Para descontar a inflação da rentabilidade você pode achar que uma simples conta de subtração é o suficiente certo?

11,95% – 9,56% = 2,39%

Errado.

Na verdade, o cálculo correto é uma divisão:

Rentabilidade Real = (1+rentabilidade)/(1+inflação) – 1

Rentabilidade Real = (1 + 0,1195) / (1 + 0,0956) – 1

Rentabilidade Real = 1,1195 / 1,0956 – 1

Rentabilidade Real = 2,18%


Perceba que no cálculo correto a realidade é um pouco pior.

Mas o que mais salta aos olhos é o quanto a inflação destruiu da nossa rentabilidade. E o pior de tudo isso é que ela o faz de uma forma silenciosa e sinistra, sem que muitos investidores percebam o efeito nefasto que ela pode provocar no longo prazo.

O lado bom de tudo isso é que o resultado foi positivo, o que indica que você está no caminho certo. Sem contar que agora você já sabe o quanto de rentabilidade real você está ganhando, o que vai permitr que faça melhores escolhas na hora de investir.

Entretanto, se você resolvesse aplicar na poupança, veja como seria o resultado:

Rentabilidade Anual da poupança: 7,12%

Inflação (IPCA): 9,56%

Só por esses valores você já percebe que nem é preciso fazer contas para ver que seu dinheiro está rendendo menos que a inflação, mas vamos lá:

Rentabilidade Real = (1,0712 / 1,0956) – 1 = -2,22%

Veja que o seu dinheiro teve rentabilidade real negativa de -2,22%, ou seja, você queimou dinheiro “aplicando” na poupança.

Agora imagine se você juntasse dinheiro “no colchão” ou até mesmo na conta-corrente. O resultado depois de 1 ano seria de incríveis -9,56%!

Quais Investimentos que Rendem Acima da Inflação?

Atualmente existem diversas aplicações que passam neste filtro:

  • Fundos DI;
  • Fundos de Renda Fixa;
  • LCI, LCA;
  • Tesouro Direto.

Cabe à você escolher qual o melhor investimento para a sua necessidade. Sendo que o prazo do resgate é o mais importante, já que alguns desses só permitem o resgate na data estipulada ou não garantem a rentabilidade se o resgate for feito antes da data limite.

Mas pensando no longo prazo, sem ter a necessidade de resgatar o dinheiro antes, eu recomendo fortemente qualquer título do Tesouro Direto que pague IPCA (inflação) + uma rentabilidade prefixada.

Como exemplo posso citar a NTN-B: IPCA + com juros semestrais (2020) que paga a inflação (IPCA) +  7,61% de juros reais.

Ou seja, com os dados atuais, ao invés de ter rentabilidade real de 2,18% na LTN – Tesouro prefixado como no exemplo que dei, você vai ter 7,61% de rentabilidade real no final do período!

Bem interessante não?

Sempre que sobrar dinheiro no final do mês, e eu espero que realmente sobre, você deve considerar investir em alguma aplicação que tenha um rendimento real positivo!

Então, para concluir …

A inflação é uma realidade para nós brasileiros e simplesmente não podemos fechar os olhos para ela, pois ela contamina tanto os nossos gastos do dia-a-dia até o nosso suado dinheiro investido todo santo mês.

O certo é que você a encare de frente e faça o que for possível para vencê-la. Agora que você já sabe como fazer para calcular corretamente o rendimento real de seus investimentos é hora de arregaçar as mangas e pesquisar os melhores investimentos para o seu futuro e o da sua família.

Afinal, vocês merecem não é verdade?

Se mesmo depois de ler tudo isso você ficou com alguma dúvida, use o espaço dos comentários para se expressar, todo tipo de dúvidas, questões ou críticas serão bem-vindos.

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Milhares de pessoas já fizeram o download e já estão investindo com muito mais confiança e preparo.

 

Um abraço.

– Bruno Kataoka

 

 

 

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Sebastião Pereira
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Bruno, você poderia atualizar esses dados, a realidade hoje é bem diferente, não é?

Valdemir Fernandes
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Valdemir Fernandes

Neste caso do TD IPCA+7,61% , a rentabilidade real não é totalmente 7,61%. Ainda temos que deduzir as taxas e o IR. Certo? E com a inflação em baixa, devido à nossa recessão, a poupança já estará dando um pouco de rentabilidade. Com a queda da inflação e queda da Selic, os investimentos em renda fixa não ficam mais convidativos, certo Bruno? Aí, acho que a renda variável, com as ações, fica mais interessante. Certo o meu raciocínio?

Bruno Kataoka
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Bruno Kataoka

Olá Valdemir, tudo bem?

Sim e sim, suas observações estão corretas.
A renda fixa em geral, se a inflação continuar caindo desse jeito, vai servir mais para que o seu patrimônio apenas supere a inflação, ao invés de ser um instrumento de multiplicação de riqueza.
Daí sim, a bolsa de valores é, na minha opinião, a melhor alternativa de investimento para crescer o seu patrimônio.

Abraços

Mario Marques
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Mario Marques

Eu só queria entender uma coisa.
Se a inflação é aplicada no consumo. Porque ela tem que ser necessariamente descontada no investimento? Porque na realidade investimentos são baseados em prazos. E o quanto mais você deixar o seu dinheiro rendendo, mais você vai ganhar. Se é assim, porque você não pode fazer o mesmo com a inflação? Se a inflação está alta, é só esperar mais, até a inflação cair e o seu dinheiro valer mais. Porque afinal, como você lida com o seu dinheiro ao longo do tempo, é o que conta. E isso se aplica também a inflação.

Bruno Kataoka
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Bruno Kataoka

Olá Mario, tudo bem? Na verdade os investimentos são baseados em prazos sim, mas também em rentabilidade. Afinal, você vai investir para poder, no futuro, gastar esse dinheiro comprando os bens e serviços que você precisa, correto? Por exemplo: imagine que você investiu R$ 1mil nos últimos 5 anos em uma aplicação que se valorizou abaixo da inflação. Os preços dos produtos que você utiliza foram subindo 8% ao ano, enquanto que o seu dinheiro foi crescendo 5% ao ano. Agora vamos supor que HOJE a inflação tenha caído para 4% e sua aplicação ainda esteja em 5%. Hoje, a… Read more »